O rio Danúbio, segundo maior da Europa, registrou uma redução expressiva no volume de água após uma sequência de ondas de calor e um período prolongado de estiagem. A vazão reduzida deixou visíveis dezenas de naufrágios de embarcações nazistas da Segunda Guerra Mundial, além de bombas e equipamentos militares submersos há mais de 80 anos.
Na região de Prahovo, na Sérvia, próximo à fronteira com a Romênia, cerca de uma dúzia de cascos enferrujados emergiu dos bancos de areia. As embarcações foram deliberadamente afundadas em setembro de 1944, durante a retirada das forças alemãs diante do avanço do Exército Vermelho soviético.
A operação militar alemã tinha como objetivo criar uma barreira no leito do rio para dificultar o avanço soviético. Historiadores estimam que até 200 navios foram afundados naquele trecho. Moradores de Prahovo afirmam que, em secas anteriores, apenas um ou dois destroços costumavam aparecer, o que evidencia a gravidade do atual rebaixamento do nível da água.
Os destroços representam um risco permanente para a navegação local. Muitas embarcações ainda podem conter munições e materiais explosivos, o que torna qualquer operação de remoção complexa e perigosa. Em 2024, a Sérvia e o Banco Europeu de Investimento iniciaram um projeto para retirar 21 navios do leito do rio, mas os trabalhos foram parcialmente suspensos devido ao risco de explosão.
Parte das embarcações chegou a ser enterrada no próprio leito do rio como medida paliativa. Com a seca atual, essas estruturas voltaram a ficar expostas, permitindo novas inspeções e estudos técnicos. A situação também revelou outros vestígios históricos, como munições e objetos militares das duas guerras mundiais em diferentes pontos da calha do Danúbio.
O fenômeno deste ano é considerado excepcional por especialistas. A combinação de calor extremo e ausência de chuvas significativas na região central da Europa reduziu o rio a níveis críticos, afetando também o transporte de cargas e o abastecimento de cidades ribeirinhas. As autoridades locais monitoram os pontos de risco e avaliam medidas para garantir a segurança da população e a navegabilidade do trecho.