Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) investigam há mais de 15 anos como a fertilidade do solo interfere na produção de uvas e na qualidade final do vinho. O trabalho busca indicar aos produtores a quantidade adequada de nutrientes para o cultivo das videiras.
Os estudos também analisam como condições climáticas adversas, como altas temperaturas e excesso de chuva, afetam o desenvolvimento das plantas. Os resultados já têm reflexos práticos no campo, com a redução da aplicação excessiva de nutrientes.
A pesquisa é conduzida por equipes de pós-graduação em Ciências do Solo da UFSM, com atuação direta junto a produtores da região. O conhecimento gerado no ambiente acadêmico tem sido transferido para o manejo diário das vinícolas, alterando práticas de adubação que eram realizadas de forma empírica há décadas. A redução de insumos no campo também diminui custos de produção e possíveis impactos ambientais nas áreas cultivadas.
Segundo o professor Gustavo Brunetto, cada área de cultivo possui características próprias. As pesquisas buscam indicar qual a quantidade adequada de nutrientes, quando devem ser aplicados e como o manejo contribui para a saúde do solo.
“Tudo isso vai ajudar para um bom crescimento da planta e uma boa produtividade”, afirma Brunetto. O objetivo também é fortalecer a atividade biológica existente na terra.
A pesquisadora Natália Palermo destaca que entender o comportamento dos nutrientes diante das mudanças climáticas é uma das principais preocupações atuais. “Mudanças climáticas, altas temperaturas, excesso de chuva e como que a adubação vai se comportar nesse ambiente adverso”, analisa.
Brunetto ressalta que as variações climáticas têm impacto direto no resultado das safras. “Todas as vezes que nós tivermos mudanças de variáveis no clima, alguns anos muito seco, alguns anos muito chuvoso, que é o caso desse ano, é o que vai determinar a qualidade não só da videira, mas de outras frutíferas”, pontua.
Conforme o coordenador de Viticultura Junior Marques, o conhecimento gerado permitiu reduzir a aplicação excessiva de nutrientes. A medida diminui possíveis impactos ambientais e contribui para um melhor desenvolvimento das plantas.
“Diminuímos muitos nutrientes que eram colocados em excesso e que poderiam agredir o meio ambiente e trazer um desenvolvimento menor pra planta, inclusive trazendo qualidade menor pro vinho”, explica Marques.