O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo. A decisão ocorre em meio à crise provocada pelo fechamento do Ueno Bank e ao avanço de um processo de impeachment no Congresso paraguaio.
Em vídeo divulgado à população, Peña pediu desculpas e afirmou que a saída tem o objetivo de preservar a estabilidade política e institucional do país. O anúncio foi feito no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovou, por 78 votos a zero, a tramitação do pedido de impeachment contra ele.
A proposta de impeachment foi apresentada por 35 parlamentares e recebeu apoio de diferentes bancadas. A votação na Câmara representa apenas uma etapa da tramitação, que ainda depende de análise do Senado paraguaio. O vice-presidente Pedro Alliana também enfrentava uma tentativa de impeachment, mas o pedido contra ele foi rejeitado pela Câmara. Com a formalização da saída de Peña, Alliana deverá assumir a Presidência, conforme as regras constitucionais do país.
A oposição acusa Peña de possível conflito de interesses por sua ligação anterior com o grupo proprietário do Ueno Bank. Os parlamentares também levantam suspeitas de irregularidades envolvendo recursos previdenciários, mudanças em regras e possível omissão do Banco Central na fiscalização da instituição. Durante a discussão do impeachment, a deputada oposicionista Rocío Vallejo criticou o presidente e responsabilizou o governo pelos prejuízos enfrentados pelos correntistas. As acusações ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes e não representam, por si só, uma condenação judicial de Peña.
A intervenção no Ueno Bank foi determinada após a identificação de insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição. Entre os problemas apontados estão operações de crédito concedidas a empresas relacionadas ao próprio grupo controlador. O banco mantinha aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo valores vinculados ao Instituto de Previdência Social do Paraguai.
Após a suspensão das atividades, a situação provocou preocupação entre os clientes e repercutiu em outras instituições financeiras. Na quarta-feira (4), foram relatados problemas de funcionamento em aplicativos de outros bancos, embora a Associação de Bancos do Paraguai tenha afirmado que o sistema financeiro continuava operando normalmente. O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público. Executivos ligados ao Ueno foram alvo de mandados judiciais, e 27 pessoas relacionadas à instituição foram formalmente acusadas. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens dos investigados.