A Brigada Militar alterou uma ordem de serviço que restringia o uso de banheiros por policiais militares em serviço na zona norte de Porto Alegre. A medida foi revista após o desabafo do soldado Guilherme Roldão, do 11º Batalhão, que relatou ter passado por uma situação constrangedora ao tentar cumprir a norma na última terça-feira (29).
Segundo o relato do policial, a determinação impedia afastamentos das guarnições para necessidades fisiológicas nas sedes das companhias e em estabelecimentos comerciais. O soldado, que faz uso de medicamento por problemas de saúde, afirmou ter segurado a vontade de ir ao banheiro durante a manhã para não descumprir a regra.
O policial afirmou que chamou seu fiscal para comunicar a situação, mas que, com receio de desrespeitar a ordem, tentou manter as atividades até o momento em que não conseguiu mais. “Eu fui segurando durante a manhã, em função de não querer descumprir a regra. Eu evitei de ir ao banheiro, às vezes que eu costumava ir, para não descumprir a regra”, declarou Roldão.
O presidente estadual da Associação Sargento Subtenente e Tenente da Brigada Militar, Aparício Costa Santelano, criticou a restrição. “É uma proibição que não tem encaminhamento. Tirando o livre-arbítrio do servidor de tomar a decisão dele. É impossível tu controlar isso”, relatou.
O diretor-geral da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf), Jonathan Santos de Souza, afirmou que a situação causou estranheza e que a entidade acompanha o caso. “A área territorial do batalhão é extensa. Então nos causou estranheza, mas de pronto a gente observou, até com essa conversa com o comando da Brigada Militar, que é um caso isolado, não tem essa ordem de serviço em outras unidades”, disse.
Em nota, o 11º Batalhão da Brigada Militar informou que houve uma interpretação equivocada da orientação. A corporação afirmou que a ordem de serviço foi reeditada, liberando a utilização dos sanitários nas companhias do batalhão. O caso está sendo apurado internamente.