Moradores de Passo Fundo enfrentam longas filas na agência da RGE para contestar contas de luz que chegaram a triplicar de valor entre junho e julho. O Procon do município já suspendeu o pagamento de pelo menos sete faturas e notificou a concessionária sobre as falhas no atendimento e os reajustes considerados abusivos pelos clientes.
O caso será encaminhado ao Ministério Público para avaliação de abertura de inquérito. A concessionária RGE, controlada pelo Grupo CPFL, atribui o aumento ao reajuste tarifário anual de quase 15% autorizado pela Aneel e ao maior consumo de energia no inverno.
O Balcão do Consumidor da UPF registrou crescimento expressivo na procura por orientações. Somente na terça-feira, o serviço atendeu 17 consumidores presencialmente, além de dezenas de contatos telefônicos, o que evidencia o impacto comunitário do problema na cidade.
O empresário Willian Ruan Moraes relatou que a fatura saltou de R$ 201 em junho, com consumo de 444 quilowatts-hora (kWh), para R$ 759 em julho. O consumo aumentou 150 kWh, mas a cobrança subiu quase 300%. “Tivemos um aumento de 25% no consumo, porém na fatura subiu quase 300%. Foi bem discrepante em relação ao valor do consumo e o valor do pagamento”, afirmou.
Moraes, que possui painéis fotovoltaicos instalados em casa, disse ter encontrado inconsistências semelhantes nas contas de seis endereços da família.
A comerciante Ana Clara Andrade de Oliveira foi surpreendida com uma cobrança de R$ 2.207, ante R$ 751 no mês anterior. “Eu acho um absurdo, porque eu não gasto tudo isso, eu trabalho o dia inteiro”, declarou.
A manicure Jenifer Bueno dos Santos, que costumava pagar no máximo R$ 420, recebeu fatura de R$ 954. Na agência, foi informada de que a empresa fará uma análise. “Eles me deram um papel com uma análise que até cinco dias eles têm para ir lá na minha casa, para ver se vão resolver ou não o problema, mas não me disseram se vão baixar o valor”, relatou.
A coordenadora do Procon de Passo Fundo, Alana Schütz, destacou as falhas no serviço de atendimento. “A fila tem demorado muito. Temos idosos e gestantes que estão demorando para receber o atendimento. Os canais eletrônicos também estão deficitários, o que faz com que as pessoas procurem a agência física”, afirmou.
Fonte: Globo G1 Rio Grande do Sul