Moradores de Itaqui adotam casas transportáveis, conhecidas como “casas volantes”, para enfrentar as cheias do Rio Uruguai sem abandonar suas residências. As estruturas são construídas pelos próprios moradores e deslocadas por tratores para áreas seguras.
Desde 4 de outubro, a Defesa Civil já moveu 67 moradias no município. A cheia afeta mais de 250 pessoas na cidade.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Itaqui, Danilo Muniz, toras de madeira instaladas sob as construções permitem o transporte. “Arrastões são toras de madeira abaixo da casa, com os arames. Os arames onde a gente coloca as correntes, o qual trator ou a máquina puxa, estaciona eles e leva para o local que a gente indicar”, explica.
Nos espaços temporários, as famílias têm acesso a energia elétrica, água potável e banheiros químicos. A aposentada Maria Rita Silveira, moradora há 50 anos, considera a mudança uma alternativa aos abrigos. “Quando a água vem, a gente puxa e vem dentro das casas. Não precisa ir para abrigo”, comenta.
Até quinta-feira (15), o Rio Uruguai estava estável em Itaqui, mas 1,60 metro acima da cota de inundação, mesmo sem chuva. Conforme Muniz, a elevação do Rio Ibicuí dificulta a redução do nível do Uruguai na região.
São Borja continua em situação de inundação, e essa água segue em direção a Itaqui. “O que está travando a descida do Rio Uruguai aqui no Itaqui é a elevação do Rio Ibicuí. É uma barreira natural no curso do Rio Uruguai que fica nos trancando essa descida”, pontua o coordenador.