Santa Maria forma mais de 5 mil estudantes por ano, mas enfrenta dificuldades para reter esses profissionais no município. A situação reflete um cenário mais amplo: cerca de 700 mil gaúchos deixaram o Rio Grande do Sul desde o início do século.
A cidade, um dos principais polos universitários do estado, tem na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) um importante centro de formação. No entanto, a falta de oportunidades de trabalho na região tem levado parte dos formandos a buscar carreira em outros estados.
A estudante de engenharia aeroespacial Carolina Barbara deixou Jundiaí (SP) para estudar na UFSM. Ela afirma ter escolhido Santa Maria pela proximidade com a área aeronáutica e pela presença da Força Aérea. Apesar disso, planeja seguir carreira em São José dos Campos (SP). “A oportunidade que eu almejo está em São Paulo”, resume.
Entre as alternativas apontadas para reter talentos está o fortalecimento dos ecossistemas de inovação, que aproximam universidades, empresas, startups e investidores. O Rio Grande do Sul possui 20 parques tecnológicos em atividade, além de incubadoras e hubs de inovação.
Para o superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc, Jorge Audy, esses ambientes ajudam a atrair investimentos e gerar demanda por profissionais qualificados. Segundo ele, o movimento contribui para trazer de volta parte dos jovens que deixaram o estado e também atrair novos talentos. “Não teremos futuro se não investirmos em educação, em geração de talento e políticas de atração de talentos”, afirma.
Em Porto Alegre, iniciativas como o Instituto Caldeira tentam aproximar jovens das oportunidades do mercado. O programa Geração Caldeira conecta estudantes e ex-alunos da rede pública com empresas instaladas no ecossistema de inovação. Segundo o diretor de Educação do instituto, Felipe Amaral, mais de 550 participantes já foram contratados por organizações parceiras.
“O Geração Caldeira é esse elo entre jovem talento que não tem acesso à oportunidade e empresas que querem acessar esses jovens”, explica Amaral. Especialistas apontam ainda a infraestrutura como entrave ao desenvolvimento. O professor Ely de Mattos defende planejamento de longo prazo e ações coordenadas para gerar empregos.