O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que está acompanhando de perto as eleições presidenciais brasileiras. Em declaração a jornalistas na Casa Branca, o republicano destacou a importância do Brasil e do processo eleitoral, mas não citou nomes de candidatos nem anunciou apoio a nenhuma candidatura.
“Estou acompanhando muito de perto as eleições brasileiras. O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, declarou Trump. A fala ocorre três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
A manifestação acontece em meio ao aumento das atenções sobre a relação entre Washington e Brasília e às discussões sobre uma possível interferência externa no processo eleitoral brasileiro. A postura adotada por Trump no caso brasileiro difere da observada em outros processos eleitorais recentes na América Latina. Na eleição presidencial da Colômbia, o presidente norte-americano declarou publicamente apoio a Abelardo de la Espriella, que venceu a disputa e assumiu a Presidência colombiana. No caso do Brasil, Trump não indicou publicamente preferência por nenhum dos candidatos durante a declaração desta quinta-feira.
A declaração de Trump ocorre poucos dias depois de três senadores democratas dos Estados Unidos enviarem uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano se comprometa a reconhecer o resultado certificado das eleições brasileiras. O documento foi assinado pelos senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch.
Os parlamentares afirmaram estar preocupados com medidas adotadas pela administração Trump em relação ao Brasil e questionaram se Washington manterá relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelos eleitores brasileiros. Na avaliação dos senadores, algumas ações recentes do governo dos EUA poderiam representar pressão diplomática, econômica e política sobre instituições brasileiras.
Entre os episódios mencionados estão tarifas aplicadas a produtos brasileiros, sanções e a nomeação de Darren Beattie para atuar em assuntos relacionados ao Brasil no Departamento de Estado. As acusações fazem parte da avaliação dos senadores e não equivalem, por si só, a uma confirmação independente de que o governo norte-americano tenha interferido na eleição.
A carta de 29 de setembro foi precedida por outra manifestação de parlamentares democratas. Em 24 de setembro, 31 congressistas dos Estados Unidos enviaram um documento a Marco Rubio no qual questionaram medidas adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil. Os parlamentares relacionaram tarifas, sanções e a atuação de Darren Beattie a uma suposta tentativa de pressionar instituições brasileiras antes das eleições. O grupo também citou a aproximação entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência.
Até então, integrantes do governo norte-americano haviam negado que Washington estivesse tentando interferir no processo eleitoral brasileiro. O Departamento de Estado também havia declarado, em agosto, que respeitaria o governo escolhido nas urnas brasileiras.