Golpe com inteligência artificial desvia R$ 294 mil de campanha falsa para criança com câncer

Uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul revelou um esquema criminoso que utilizava inteligência artificial para criar falsas campanhas de arrecadação de fundos, explorando a imagem de crianças com câncer. A ação, realizada nesta terça-feira (14), resultou na prisão de 16 pessoas em cinco estados diferentes, e os investigadores rastrearam impressionantes R$ 294,5 mil desviados de uma única campanha que usava a imagem de uma menina em tratamento.

Kelen Santos, mãe da criança cuja imagem foi utilizada pelos golpistas, compartilhou a dor e o desespero que a fraude trouxe para sua família. “Foi horrível. A gente perdeu o sono, eu chorei muito porque não era só questão da imagem dela. Eles usaram a nossa dor para ganhar dinheiro”, desabafou. A mãe contou que os criminosos criaram vídeos falsos em que sua filha, em tratamento, pedia ajuda financeira para comprar medicamentos caros.

Os golpistas empregaram técnicas sofisticadas, como clonagem de voz e deepfake, para simular apelos emocionais. Nos anúncios fraudulentos, uma voz gerada por IA fazia um apelo tocante: “O remédio que pode me ajudar é muito caro. Se você puder ajudar, qualquer valor já me dá mais um dia com a minha mãe.” As vítimas eram direcionadas a sites que imitavam plataformas legítimas de arrecadação, como o Vakinha, onde geravam códigos Pix que caíam em contas de empresas de fachada controladas pelos criminosos.

Kelen revelou que muitos doadores, acreditando estar ajudando, procuravam a família nas redes sociais para compartilhar suas contribuições. “A pessoa dizia ‘eu doei’, feliz da vida, e a gente tinha que explicar que não tínhamos nenhuma vaquinha, que eles acabaram doando para um golpe”, lamentou.

O delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, destacou a gravidade do caso. O grupo criminoso não apenas desviou grandes quantias, mas também utilizou uma empresa como núcleo financeiro, movimentando mais de R$ 1,7 milhão durante o período investigado.

A Polícia Civil alerta a população para que verifique a identidade do destinatário antes de realizar doações, recomendando que confirmem os dados diretamente com as famílias beneficiadas. Este triste episódio ressalta a importância de estar atento às fraudes que se aproveitam da boa vontade das pessoas em momentos de vulnerabilidade.

Fonte: Globo G1 Rio Grande do Sul

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