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Família não reconhece ossada entregue em cemitério de Cruz Alta

Família de Cruz Alta afirma ter recebido ossada de outra pessoa ao retirar restos mortais da mãe, falecida em 2021. Prefeitura instaurou sindicância e Polícia Civil apura o caso.
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Redação Planalto RS 24 Horas

16 de outubro de 2026

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Uma família de Cruz Alta questiona o paradeiro dos restos mortais da mãe após receber, no Cemitério Municipal, uma ossada com características diferentes das da falecida. A mulher morreu em decorrência da Covid-19 em 2021.

Segundo uma das filhas, o material entregue continha uma haste metálica e uma dentadura. A familiar afirma que a mãe nunca passou por cirurgia além dos partos e não usava prótese dentária.

A família tentava transferir os restos mortais para um jazigo próprio havia anos, mas os pedidos foram negados mais de uma vez, inclusive em abril deste ano. A previsão informada era de que a mudança somente poderia ocorrer em 2028. O caso levanta questionamentos sobre os procedimentos adotados pela administração do cemitério e o respeito ao luto das famílias.

A filha relatou que foi avisada por pessoas não ligadas à administração do cemitério de que os restos mortais da mãe estavam sendo retirados. “Eu estava no trabalho em choque, fiquei desesperada, liguei para o meu pai em outra cidade”, afirmou.

Após abrir a sacola e perceber que a ossada não correspondia às características da mãe, a filha retornou à gaveta. No entanto, outra pessoa já havia sido colocada no local. “Meu Deus, essa não é a minha mãe. Cadê a minha mãe?”, questionou.

A prefeitura informou que instaurou uma sindicância para apurar os motivos do procedimento e por que a família não teria sido avisada previamente, caso o fato seja confirmado.

O advogado dos parentes, Fagner Pias, afirmou que pretende buscar a responsabilização civil da prefeitura, responsável pelo cemitério, além de cobrar esclarecimentos sobre a localização dos restos mortais.

“É um caso bastante grave, onde há um desrespeito muito grande em relação ao próprio luto das pessoas, à própria dignidade da pessoa humana”, declarou o advogado.

A Polícia Civil informou que, até o momento, não identificou elementos suficientes para configurar crime. A investigação aguarda informações do cemitério para prosseguir.

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