Uma família de Cruz Alta questiona o paradeiro dos restos mortais da mãe após receber, no Cemitério Municipal, uma ossada com características diferentes das da falecida. A mulher morreu em decorrência da Covid-19 em 2021.
Segundo uma das filhas, o material entregue continha uma haste metálica e uma dentadura. A familiar afirma que a mãe nunca passou por cirurgia além dos partos e não usava prótese dentária.
A família tentava transferir os restos mortais para um jazigo próprio havia anos, mas os pedidos foram negados mais de uma vez, inclusive em abril deste ano. A previsão informada era de que a mudança somente poderia ocorrer em 2028. O caso levanta questionamentos sobre os procedimentos adotados pela administração do cemitério e o respeito ao luto das famílias.
A filha relatou que foi avisada por pessoas não ligadas à administração do cemitério de que os restos mortais da mãe estavam sendo retirados. “Eu estava no trabalho em choque, fiquei desesperada, liguei para o meu pai em outra cidade”, afirmou.
Após abrir a sacola e perceber que a ossada não correspondia às características da mãe, a filha retornou à gaveta. No entanto, outra pessoa já havia sido colocada no local. “Meu Deus, essa não é a minha mãe. Cadê a minha mãe?”, questionou.
A prefeitura informou que instaurou uma sindicância para apurar os motivos do procedimento e por que a família não teria sido avisada previamente, caso o fato seja confirmado.
O advogado dos parentes, Fagner Pias, afirmou que pretende buscar a responsabilização civil da prefeitura, responsável pelo cemitério, além de cobrar esclarecimentos sobre a localização dos restos mortais.
“É um caso bastante grave, onde há um desrespeito muito grande em relação ao próprio luto das pessoas, à própria dignidade da pessoa humana”, declarou o advogado.
A Polícia Civil informou que, até o momento, não identificou elementos suficientes para configurar crime. A investigação aguarda informações do cemitério para prosseguir.