O governo do Estado apresentou, nesta segunda-feira, o início dos estudos técnicos sobre a Malha Sul Ampliada, projeto ferroviário que integra os três estados do Sul do Brasil e o Mato Grosso do Sul. A iniciativa é conduzida em conjunto com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
Na mesma cerimônia, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, foram anunciados dois fundos financeiros. O Fundo Gaúcho de Riscos Climáticos busca estimular o mercado de seguros contra desastres naturais, enquanto o Fundo Fácil RS apoia a entrada de pequenas e médias empresas no mercado de capitais.
A malha ferroviária operacional no território gaúcho reduziu de 3,8 mil quilômetros para 800 quilômetros, cenário agravado após as enchentes. O secretário estadual de Logística e Transportes (Selt), Clóvis Magalhães, afirmou que a modelagem econômico-financeira proposta pelo governo federal não garante capacidade ferroviária para a demanda atual do Porto de Rio Grande. O governador Eduardo Leite declarou que o diálogo com a União deve continuar, mesmo com os estudos em andamento.
Os estudos da Malha Sul Ampliada foram contratados por uma consultoria técnica liderada pela Alvarez & Marsal, com prazo total de dez meses para conclusão. Resultados preliminares devem ser apresentados ainda neste ano.
A intenção do Estado é estruturar um contraponto à proposta do governo federal, que busca fatiar o projeto. Na avaliação da União, o corredor entre Paraná e Santa Catarina é superavitário, enquanto os sistemas Rio Grande e Mercosul são deficitários.
Leite rebateu a recente declaração do Ministério dos Transportes de que o Sul teria se posicionado tardiamente sobre a prorrogação da concessão da Rumo, cujo contrato está próximo do fim. Segundo o governador, o Estado se manifestou a partir do momento em que houve compartilhamento dos dados, e o Ministério só repassou as informações durante a consulta pública.
Os fundos foram justificados pela necessidade de crescimento econômico e reconstrução pós-enchentes. O fundo climático terá investimento de R$ 102 milhões do Estado, com recursos da Caixa de Administração da Dívida Pública Estadual (Cadip) e do Fundo Rio Grande (Funrigs).
Nesse modelo, o Estado absorve parte do risco de apólices de seguradoras privadas por meio da compra de títulos. O anúncio contou com a presença do governador Eduardo Leite e de secretários estaduais.