Neste domingo (27), Dia Nacional da Doação de Órgãos, o Hospital de Clínicas de Carazinho (HCC) reforça a necessidade do diálogo familiar sobre a vontade de ser doador. A data busca conscientizar a população sobre a importância do ato que salva vidas.
A instituição conta com a Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (EDOTT), responsável por acompanhar os casos e prestar suporte às famílias durante todo o processo. Em 2026, o HCC realizou uma captação de órgãos no mês de março, quando foram captados rins e fígado.
O trabalho da EDOTT envolve o acolhimento dos familiares antes mesmo da abordagem sobre a doação. A equipe busca criar uma relação de confiança e verificar se todos compreenderam a situação clínica do paciente. Entre as principais dificuldades enfrentadas estão o momento do luto, a compreensão do diagnóstico de morte encefálica e o choque emocional. A resistência de algumas famílias também ocorre devido ao tempo necessário para a captação e à falta de informações sobre o processo.
A história da transplantada Lourdes Dalla Valle Neis ilustra o impacto da decisão. Ela recebeu um rim há um ano e oito meses, após enfrentar cerca de quatro anos de hemodiálise. Durante esse período, Lourdes viveu na expectativa de receber a ligação para o transplante.
Ela chegou a ser chamada quatro vezes, mas o procedimento não pôde ser realizado por questões de compatibilidade. Em algumas situações, viajou até Porto Alegre para exames e retornou para casa sem a cirurgia. Foi somente na quinta chamada que o órgão compatível apareceu.
Após o transplante, Lourdes relata que sua rotina mudou completamente. “A qualidade de vida, saber que não dependo mais da máquina para sobreviver, poder realizar minhas atividades com mais ânimo e força, sair e poder viajar sem ter o compromisso de estar três vezes na semana na máquina”, afirmou.
Hoje, ela reforça a importância da doação e lembra que qualquer pessoa pode estar na posição de quem espera por um órgão. “Não sabemos o dia de amanhã. Pode ser nós ou alguém da nossa família precisando de um órgão. Você está doando esperança e uma qualidade de vida a mais para quem precisa”, destacou.
Segundo Grasiela Negri, responsável pela EDOTT, a abordagem com a família do possível doador é feita com cuidado e respeito. A equipe explica cada etapa de forma clara e transparente. A principal orientação para quem deseja ser doador é conversar com a família ainda em vida e deixar essa vontade bem clara.