A Justiça Federal condenou 13 homens investigados na Operação Hinterland por envolvimento em um esquema de tráfico internacional de cocaína que teria movimentado mais de R$ 3 bilhões entre 2019 e 2022. As penas variam de cinco anos e sete meses a 54 anos de prisão.
Doze réus foram condenados por crimes relacionados à organização criminosa e ao tráfico de drogas. Outro réu foi absolvido da acusação de tráfico internacional, mas condenado pelos demais crimes. Uma mulher também processada no caso foi absolvida de todas as acusações por falta de provas.
A Polícia Federal identificou dois núcleos que atuavam separadamente, mas mantinham cooperação. O primeiro era dedicado ao transporte terrestre e aéreo, responsável pela entrada de cocaína proveniente de países como Peru, Bolívia e Colômbia, principalmente pela fronteira com o Paraguai.
Depois, a droga era distribuída para Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Amazonas. O grupo também realizava transporte aéreo entre a Região Norte e outros países da América Latina.
O segundo núcleo ficava responsável pelo envio de grandes quantidades de cocaína à Europa, escondidas em cargas transportadas por navios. Parte da droga chegava à região de Rio Grande antes de ser repassada ao grupo. Os integrantes também mantinham contato direto com fornecedores da Colômbia e do Peru.
Segundo a Polícia Federal, o núcleo marítimo tinha estrutura hierarquizada e funções distribuídas entre os integrantes, de forma que o esquema conseguia continuar em funcionamento mesmo com o afastamento de algum membro. A denúncia aponta ainda que eram utilizados marcas e logotipos próprios para identificar os tabletes de cocaína.
A sentença determinou a destinação dos bens apreendidos para a União. Quatro réus estão presos preventivamente, um está foragido e oito já recorreram ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.