Uma denúncia de racismo foi registrada junto à Polícia Civil de Passo Fundo na tarde desta terça-feira (6). O boletim de ocorrência foi feito por meio da Delegacia Online e aponta um caso de preconceito relacionado à raça ou cor.
Segundo as informações, a situação teve início após a vítima realizar uma publicação em seu perfil no Instagram. Na postagem, ela manifestava sua posição política e comemorava o resultado do 1º turno das eleições de 2026.
Após a publicação, a vítima teria recebido uma mensagem de outra mulher, que fazia referência à sua condição racial. Conforme consta no boletim de ocorrência, uma das mensagens atribuídas à suspeita mencionava a escravidão.
As imagens obtidas com exclusividade mostram a troca de mensagens, sendo uma delas com a seguinte afirmação: “A***** VOCÊ É NEGRA. BOA SORTE PRA VOLTAR A COLHER ALGODÃO”. O conteúdo foi registrado pelas autoridades e apresentado como parte dos elementos que deverão ser analisados durante a apuração.
Segundo o relato registrado, as mensagens provocaram forte abalo emocional na vítima. Ela teria apresentado uma crise de ansiedade e um ataque de pânico, necessitando de atendimento médico de urgência e sendo encaminhada a um hospital da cidade.
O marido da vítima, em contato com a reportagem, afirmou que a questão política não deveria ser utilizada como justificativa para ataques relacionados à raça. Ele contou que precisou levá-la para atendimento médico, onde ela teria apresentado choro intenso, tremores e sintomas de pânico.
Ainda conforme o relato, a família possui registros das mensagens e outros materiais relacionados ao episódio, que deverão ser apresentados às autoridades responsáveis pela investigação.
Além da mensagem com referência à colheita de algodão, o boletim de ocorrência registra que outras mensagens atribuídas à mesma pessoa teriam apresentado manifestações consideradas pela vítima como discurso de ódio. Entre os conteúdos relatados estão afirmações relacionadas a mulheres, pessoas negras, pessoas pobres e integrantes da comunidade LGBTQIA+, além de uma manifestação mencionando a possibilidade de mulheres serem encaminhadas para campos de concentração.