O caminhoneiro Adrisson Menezes Leite, de 41 anos, natural de Passo Fundo, está há 40 dias retido no Chile após uma nevasca histórica atingir a região da Cordilheira dos Andes. Ele viajou ao país para transportar peças de carreta e retornaria ao Brasil com vinhos chilenos, mas teve o trajeto interrompido no início de julho.
Adrisson está em um estacionamento próximo ao município de Los Andes, a cerca de 80 quilômetros de Santiago, junto com aproximadamente 50 brasileiros que também aguardam a liberação das estradas. A previsão para a reabertura das vias é para a próxima sexta-feira (21).
A região enfrenta o que Adrisson descreve como a maior nevasca desde 1960, com acúmulo de neve entre 10 e 12 metros de altura na rodovia que liga Chile e Argentina. O governo chileno decretou estado de exceção por catástrofe na província de Tocopilla, no norte do país, após fortes chuvas provocarem enchentes e deslizamentos de terra. As interdições ocorrem tanto pelo acúmulo de neve na pista quanto pelo risco de avalanches ao longo do trajeto.
Com mais de 20 anos de experiência rodando pela América do Sul, Adrisson afirma que nunca ficou tanto tempo parado em território estrangeiro. “Faz anos que venho pra cá, desde os anos 2000 viajo e é a primeira vez que fico tantos dias aqui para o lado chileno por causa de nevasca. A gente geralmente ficava uma semana, 10, 15 dias. Mas mais de 40 dias no mesmo lugar é a primeira vez”, relata.
Durante o período de espera, o caminhoneiro dorme e cozinha no próprio veículo. O grupo de brasileiros se reveza para fazer compras no mercado mais próximo, que fica a seis quilômetros de distância. Os custos da estadia improvisada aumentam a cada dia, enquanto os trabalhadores permanecem sem receber.
“A gente põe o caminhão dentro do estacionamento, paga uma diária que dá em torno de R$ 40 e tem chuveiro, tem um guarda ali. É um negócio meio precário, mas na rua é mais perigoso. Todos esses dias já foram 400 dólares”, conta Adrisson.
A alimentação também exige adaptação. “Aqui a carne bovina é muito cara, então a gente só come no domingo. De segunda a sábado é frango e porco”, explica. Para passar o tempo, o grupo joga cartas, ajusta peças dos caminhões e organiza partidas de futebol às terças-feiras.