O uso de um áudio forjado da cabine do VAR pela defesa de Victor Gabriel influenciou o julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva e resultou na aplicação da suspensão até que o atacante Gabriel Pec volte aos treinos, com prazo máximo de 180 dias.
O lance em questão causou a fratura na perna esquerda de Pec, durante a derrota do Inter por 2 a 1 para o Cruzeiro, no dia 22 de julho, no Beira-Rio; inicialmente os auditores aprovaram por unanimidade a pena mínima de seis jogos e depois passaram a avaliar o agravante que ampliou a sanção.
Durante a discussão, a auditora Aline Jatahy declarou que inicialmente seguia o relator Rodrigo Bayer, mas que o “fato novo” mostrado pela defesa a levou a acompanhar os auditores que defendiam a aplicação do parágrafo terceiro, vinculando a suspensão ao retorno de Pec aos treinos. Ela ressaltou que não poderia manter um entendimento que considerasse erro diante da prova exibida.
Especialistas em direito desportivo consultados — a advogada Fernanda Soares e o advogado-jornalista Andrei Kampff — explicaram que, em empate nessa específica apreciação, prevalece a interpretação mais favorável ao acusado, o que teria preservado a pena mínima caso a auditora não tivesse alterado o voto.
O Inter e o escritório de advocacia que representou o clube emitiram nota conjunta reconhecendo a falha na captação da prova, mas negando má-fé no uso do material. Autores do áudio paródia, identificado como criação de perfil nas redes sociais, chegaram a fazer comentários de tom jocoso sobre a situação após a repercussão.
No julgamento desta terça-feira, além da suspensão vinculada ao retorno de Pec, os auditores haviam validado por unanimidade a aplicação de seis partidas como pena mínima. A inclusão do agravante só passou a valer em razão da mudança de voto motivada pela apresentação da gravação irregular.
Fonte: Globo Esporte RS