Vila Flores, na Serra Gaúcha, foi selecionada para representar o Brasil em uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que reconhece vilas e pequenas cidades sustentáveis. O município, localizado entre Veranópolis e Nova Prata, tem cerca de 3,6 mil habitantes.
A seleção considera critérios como turismo, identidade cultural, inclusão social e sustentabilidade. O interior da cidade reúne capelas centenárias, construções históricas e tradições italianas mantidas pela população local.
Entre os símbolos da religiosidade local está a Capela São Jorge, erguida há 131 anos por imigrantes. A construção, feita de pedra e barro, nasceu de uma promessa feita em meio às dificuldades enfrentadas pelos primeiros moradores da região, que sofreram com vendavais e uma infestação de gafanhotos.
Aos 81 anos, Glória Zancanaro mantém o hábito diário de rezar no Santuário Divino Pai Eterno. Ela foi a idealizadora do espaço e responsável por viabilizar sua construção. “A fé ainda está viva em Vila Flores e esperamos que mais gente se una para a gente ter a paz no mundo”, afirma.
A herança italiana é celebrada nos tradicionais filós, encontros comunitários que reúnem moradores e turistas para compartilhar histórias, música, comida e costumes. Ao cair da noite, lampiões iluminam o ambiente e recriam o cenário do cotidiano dos primeiros colonizadores.
Os freis capuchinhos conduzem a produção de vinho com canto gregoriano, prática que une espiritualidade e tradição artesanal. O pão é assado diariamente em um casarão centenário, mantendo o modo de vida que contrasta com o ritmo dos grandes centros.
A artista Benedita Zandoná Ceccato destaca as características do município. “A tranquilidade, o próprio ar, as pessoas. Todo mundo se conhece. É um bom-dia, uma boa-tarde, como vai?”, resume.