O furacão Isaias, primeiro da temporada atlântica de 2026, formou-se apenas em outubro e deve atingir os Estados Unidos neste fim de semana. O sistema é o mais tardio a se formar no Oceano Atlântico neste ano.
A formação tardia do furacão e os temporais frequentes que causam danos no Sul do Brasil têm uma origem comum: o El Niño. O fenômeno altera a circulação da atmosfera em escala global e conecta os dois eventos, mesmo em regiões distantes.
No Atlântico Norte, o El Niño altera os ventos em diferentes altitudes e aumenta o cisalhamento vertical. Esse mecanismo dificulta a organização das tempestades que alimentam um ciclone tropical, impedindo que sistemas se formem e ganhem força até a categoria de furacão.
No Sul do Brasil, o mecanismo é diferente. O aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial modifica padrões de vento, umidade e distribuição de chuvas. Na Região Sul, o fenômeno está associado a períodos de precipitação acima da média, especialmente durante a primavera.
A influência é relevante no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. A combinação de calor, umidade e sistemas meteorológicos organizados pode provocar temporais intensos, vendavais e grandes volumes de chuva.
O El Niño não determina sozinho o tempo em cada região, mas modifica as condições atmosféricas que definem como os sistemas meteorológicos se desenvolvem. Por isso, os efeitos podem variar de intensidade conforme a atuação de outros fatores climáticos.