A Polícia Civil indiciou três pessoas, sendo duas servidoras municipais, por suspeita de cobranças irregulares no Cemitério Municipal de Esteio. O relatório final foi assinado pelo delegado Augusto Zenon de Moura Rocha, da 1ª Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública Municipal (Dercap).
O ex-coordenador do cemitério, Taiguara Almeida da Cunha, e os sepultadores Adilson Silva da Silva e Deives Roberto Soares Teixeira Bottino foram indiciados por peculato e associação criminosa. Taiguara, exonerado após processo administrativo, também responderá por falsidade ideológica.
Segundo a investigação, Taiguara teria recebido diretamente valores pagos por usuários, sem que os recursos fossem arrecadados aos cofres da prefeitura. Em alguns casos, familiares constataram a existência de débitos ainda registrados junto ao município, mesmo tendo quitado as taxas.
A professora Daiana dos Santos Chaves relatou que, após perder a mãe em julho de 2024, recebeu uma cobrança de R$ 750 em taxas, paga via PIX no momento do sepultamento. “Nos disseram que, se não pagássemos, não fariam o enterro. Tivemos que nos virar na hora. Só depois descobrimos que pagamos para uma conta que nem era da prefeitura”, afirmou.
Para o delegado Augusto Zenon de Moura Rocha, os elementos reunidos indicam que não se tratava de episódios isolados, mas de uma atuação coordenada. “Taiguara, Adilson e Deives mantinham vínculo associativo estável e permanente, com divisão de tarefas e finalidade comum de obtenção de vantagens econômicas”, afirma o delegado no relatório.
Além da demissão de Taiguara, a prefeitura aplicou pena de suspensão de 10 dias aos dois sepultadores. Questionada sobre a diferença das penalidades, a administração municipal alegou que a decisão foi definida a partir da “análise individualizada das condutas, das provas produzidas e dos demais elementos constantes no processo”.
O g1 contatou Taiguara e a prefeitura de Esteio para manifestação a respeito dos indiciamentos, e aguarda retorno. O caso foi remetido ao Judiciário e chegará ao Ministério Público, que pode pedir mais investigações, oferecer denúncia ou arquivar.