A formação médica passa por transformações profundas diante de um cenário de saúde cada vez mais complexo. Inteligência artificial, telemedicina e análise de grandes volumes de dados alteram o diagnóstico e o tratamento de doenças, enquanto o envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas ampliam os desafios do trabalho médico.
Em Passo Fundo, referência regional em saúde e educação, a discussão sobre como preparar profissionais capazes de atuar nesse contexto ganha destaque. O domínio teórico, por si só, já não responde às demandas multifatoriais que envolvem o cuidado com o paciente.
A cidade, que abriga um dos principais polos médicos do interior do Rio Grande do Sul, sente diretamente os reflexos dessa nova realidade. O crescimento de serviços de alta complexidade e a presença de instituições de ensino superior na área da saúde colocam Passo Fundo no centro do debate sobre modelos de formação mais conectados à prática e às necessidades da população.
Segundo o médico de família e comunidade Gabriel Chies, a formação médica tem passado por mudanças importantes nos modelos de ensino em todo o mundo. Hoje, ela está mais conectada à realidade dos serviços de saúde, estimulando o raciocínio clínico, a visão crítica e a tomada de decisão em casos concretos.
“Os profissionais da Medicina devem saber interpretar informações de diferentes fontes, trabalhar em equipes multidisciplinares, acompanhar a rápida evolução tecnológica e compreender como fatores sociais, econômicos e culturais influenciam as condições de saúde da população”, avalia Gabriel, coordenador de Medicina do Centro Universitário Cesuca, em Cachoeirinha.
A aluna Fernanda Serpa afirma que sua formação tem ganhado mais significado porque a instituição se preocupa não só com a qualificação técnica, mas em criar nos futuros médicos sensibilidade e ética. “A gente é sempre incentivada a olhar o paciente como um todo, entender a história, de onde ele vem, e não somente olhar o diagnóstico”, conta.
Ela destaca que o curso tem uma preocupação em formar bons médicos generalistas, capazes de olhar o cuidado de forma integral, algo voltado ao que o SUS preconiza. “Um bom atendimento não é só dar um bom diagnóstico, mas passar por vários passos, desde saber acolher esse paciente, principalmente saber escutá-lo e respeitá-lo como ser humano.”
O curso da instituição gaúcha combina sólida formação científica com inserção prática desde os primeiros semestres, permitindo que os estudantes vivenciem a realidade dos serviços de saúde antes mesmo da conclusão da graduação.