O envelhecimento da população e a desigualdade na distribuição de médicos no Rio Grande do Sul são os principais desafios para os próximos governantes. O estado tem 2,2 milhões de idosos e uma expectativa de vida que subiu de 72,8 para 77 anos nas últimas duas décadas.
Apesar de o estado ter 3,45 médicos por mil habitantes, acima da média nacional de 3,08, os profissionais estão concentrados na Capital. Em Porto Alegre, são 11,81 médicos por mil habitantes, enquanto no Interior a proporção cai para 2,27.
A concentração de serviços de saúde na Capital obriga pacientes do Interior a percorrer longas distâncias para consultas e tratamentos. Um exemplo citado pela Associação Médica do Rio Grande do Sul é o de pacientes de Santa Vitória do Palmar que viajavam cerca de 200 quilômetros até Pelotas para fazer diálise. A criação de uma unidade no próprio município reduziu o deslocamento.
Segundo o vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, não basta formar mais profissionais. É preciso criar condições para que eles permaneçam onde são necessários. A falta de estrutura, como hospitais, laboratórios, equipamentos e equipes completas, pesa na decisão dos médicos.
Mais de 600 mil solicitações aguardam atendimento com especialistas no estado. A regionalização dos serviços, de acordo com as necessidades de cada região, é uma das alternativas apontadas pela Amrigs. A proposta não é levar todos os serviços para todas as cidades, mas criar uma rede regional capaz de atender parte da demanda perto de onde o paciente mora.
Outra frente é fortalecer a atenção básica para acompanhar os pacientes e trabalhar de forma integrada com diferentes profissionais. A professora Deise Lisboa Riquinho, da UFRGS, defende equipes multidisciplinares para ampliar a capacidade de atendimento na porta de entrada do sistema.
Para o professor Luis Henrique Telles da Rosa, da UFCSPA, o convívio social também é importante para a saúde dos idosos. A interação é um fator estratégico para a manutenção da saúde física e mental dessa população. Especialistas também propõem o uso de tecnologias como a telemedicina para reduzir a desigualdade de acesso entre as regiões.