A Promotoria Especializada Criminal do Ministério Público prendeu preventivamente o policial penal Cassiano Uflacker Lutz de Castro. O agente atuava cedido ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e foi detido durante uma operação nesta semana, em Porto Alegre.
Segundo a investigação, o ponto de partida foi o suposto furto de R$ 10 milhões em ouro de um familiar. O material seria proveniente de um prêmio de loteria e teria sido retirado da casa da família, na Zona Sul da capital.
De acordo com o MP, o ouro foi vendido a pessoas que negociam o metal. O policial receberia os valores desviados aos poucos, por meio de pagamentos relacionados a viagens, automóveis de luxo, uma frota de carros usados em aplicativos de transporte e veículos aquáticos.
A Justiça autorizou o sequestro de dois veículos de luxo registrados em nome de laranjas. Um deles é avaliado em R$ 400 mil e o outro em R$ 300 mil.
A prisão preventiva foi decretada pelos crimes de furto, associação criminosa, receptação e lavagem de dinheiro. A ordem foi expedida pela 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.
O g1 confirmou que Cassiano foi chamado para participar do briefing da operação na segunda-feira (14). Ao chegar à Promotoria, ele foi conduzido a uma sala reservada e informado de que era um dos alvos da investigação.
A defesa do policial, representada pelo escritório De Lia Pires, afirma que o caso envolve uma disputa privada sobre bens e valores da família. Em manifestação, o escritório nega corrupção, desvio funcional ou malversação de dinheiro público e repudia as acusações.
A defesa sustenta ainda que as acusações seriam instrumento de pressão e intimidação de um dos lados da querela. O escritório classificou a prisão como uma consequência lamentável do uso do Judiciário para fins privados e afirmou que a medida será combatida na esfera apropriada.