O Rio Grande do Sul projeta um déficit de R$ 4,8 bilhões em 2027, conforme estimativa baseada na Lei de Diretrizes Orçamentárias. O cenário impõe ao próximo governo o desafio de preservar o equilíbrio das contas públicas.
Atualmente, 60% da receita estadual é destinada ao pagamento de salários de servidores. A dívida do estado com a União alcançou R$ 106,5 bilhões em 2025, e o déficit previdenciário deve chegar a R$ 10 bilhões no mesmo período.
Para o professor da PUCRS e doutor em Direito, Paulo Caliendo, o principal desafio será manter o controle financeiro. “Um governo só não irá resolver os problemas estruturais fiscais do Estado. Mas o próximo governo tem o desafio de manter o equilíbrio e o controle financeiro”, afirma.
Segundo Diego de Oliveira Carlin, professor da UFRGS, o déficit projetado é uma estimativa da LDO. Caso a arrecadação fique abaixo do previsto, o governo poderá ser obrigado a contingenciar despesas.
O estado enfrenta ainda pressão crescente com a previdência dos servidores aposentados. Há atualmente um servidor ativo para cada 1,46 aposentado, e o envelhecimento da população agrava o quadro.
“O Estado vai ter que carregar esse servidor, pagando legitimamente as aposentadorias, pensões e assim por diante”, explica Carlin. Ele avalia que as próximas duas décadas representam um desafio significativo, embora haja tendência de redução no longo prazo.
Caliendo destaca que o tema não é exclusivo do Rio Grande do Sul. “É um desafio do Brasil e também do mundo, porque ao mesmo tempo que temos menor natalidade, temos aumento da longevidade”, afirma.
Em 2027, o estado deve retomar o pagamento de R$ 2 bilhões da dívida com a União. Para ampliar a arrecadação, especialistas sugerem estimular o crescimento econômico e atrair investimentos, o que exige melhorias na infraestrutura e segurança jurídica.