O Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação contra o HPV para crianças a partir dos 2 anos de idade que tenham sido vítimas de violência sexual. A medida representa uma mudança importante na estratégia de prevenção de infecções pelo papilomavírus humano (HPV), já que, anteriormente, a indicação específica para esse público começava aos 9 anos.
A orientação prevê que meninos e meninas vítimas de violência sexual possam receber uma dose da vacina quadrivalente contra o HPV, após avaliação e indicação do profissional ou serviço de saúde responsável pelo atendimento. A nova recomendação contempla uma faixa etária especialmente vulnerável.
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde, com base no Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que as notificações de violência sexual envolvendo crianças de 0 a 4 anos aumentaram significativamente na última década. Em 2014, foram registrados 1.671 casos nessa faixa etária. Em 2024, o número chegou a 7.845 notificações, um crescimento superior a quatro vezes.
A nova orientação permite a vacinação de crianças de 2 a 8 anos vítimas de violência sexual, desde que a indicação seja feita pela equipe ou pelo profissional responsável pelo atendimento. A vacina utilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) é a quadrivalente, que oferece proteção contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV.
É importante destacar que a vacinação não funciona como um tratamento para uma eventual infecção contraída durante o episódio de violência. Seu objetivo é oferecer proteção contra tipos do HPV aos quais a criança ainda não tenha sido exposta.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, a vacinação nesse contexto deve ser entendida como uma estratégia de prevenção para possíveis exposições futuras, e não como uma forma de eliminar uma infecção adquirida imediatamente antes da aplicação.
A aplicação feita por causa de um episódio de violência sexual terá uma regra específica. Quando a vacina for administrada antes dos 9 anos, essa dose não será considerada parte do esquema de vacinação de rotina contra o HPV.
Assim, quando a criança atingir a idade prevista para a imunização regular, deverá receber novamente as doses indicadas pelo calendário vigente. Isso significa que a dose aplicada após a violência sexual não elimina a necessidade da vacinação de rotina.
Por outro lado, crianças que já tenham sido vacinadas contra o HPV não precisam receber automaticamente uma nova dose apenas porque passaram por uma situação de violência sexual. A necessidade de vacinação deverá ser avaliada caso a caso pela equipe de saúde responsável.