O Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação contra o HPV para crianças a partir dos 2 anos de idade que tenham sido vítimas de violência sexual. A medida representa uma mudança importante na estratégia de prevenção de infecções pelo papilomavírus humano (HPV), já que, anteriormente, a indicação específica para esse público começava aos 9 anos.
A orientação prevê que meninos e meninas vítimas de violência sexual possam receber uma dose da vacina quadrivalente contra o HPV, após avaliação e indicação do profissional ou serviço de saúde responsável pelo atendimento. A nova recomendação contempla uma faixa etária especialmente vulnerável.
A nova orientação permite a vacinação de crianças de 2 a 8 anos vítimas de violência sexual, desde que a indicação seja feita pela equipe ou pelo profissional responsável pelo atendimento. A vacina utilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) é a quadrivalente, que oferece proteção contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV.
É importante destacar que a vacinação não funciona como um tratamento para uma eventual infecção contraída durante o episódio de violência. Seu objetivo é oferecer proteção contra tipos do HPV aos quais a criança ainda não tenha sido exposta.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, a vacinação nesse contexto deve ser entendida como uma estratégia de prevenção para possíveis exposições futuras, e não como uma forma de eliminar uma infecção adquirida imediatamente antes da aplicação.
A aplicação feita por causa de um episódio de violência sexual terá uma regra específica. Quando a vacina for administrada antes dos 9 anos, essa dose não será considerada parte do esquema de vacinação de rotina contra o HPV.
Assim, quando a criança atingir a idade prevista para a imunização regular, deverá receber novamente as doses indicadas pelo calendário vigente. Isso significa que a dose aplicada após a violência sexual não elimina a necessidade da vacinação de rotina.
Por outro lado, crianças que já tenham sido vacinadas contra o HPV não precisam receber automaticamente uma nova dose apenas porque passaram por uma situação de violência sexual. A necessidade de vacinação deverá ser avaliada caso a caso pela equipe de saúde responsável.