O arcebispo de Passo Fundo, Dom Rodolfo Luís Weber, publicou neste domingo (13) um artigo no qual reflete sobre o tema do perdão na convivência humana. O texto parte da pergunta de Pedro a Jesus sobre quantas vezes se deve perdoar o irmão que peca.
Na reflexão, o arcebispo apresenta a resposta de Jesus, que propõe ir além do limite humano de sete vezes, conduzindo ao modo de pensar e agir do Reino de Deus. A parábola das dívidas é utilizada para ilustrar a relação entre o perdão divino e o perdão entre os homens.
Dom Rodolfo destaca que a origem do pecado está nas decisões erradas de cada pessoa, com consequências para si, para o próximo, para a natureza e para Deus. Diante disso, questiona como se relacionar com quem erra e como resolver o que foi feito de errado.
O arcebispo cita passagens bíblicas do Eclesiástico, do Salmo 102, da Carta aos Romanos e do Evangelho de Mateus para fundamentar a reflexão. Segundo ele, a sugestão de Pedro de perdoar sete vezes coloca um limite razoável considerando a condição humana.
Na interpretação do texto, a resposta de Jesus leva Pedro ao Reino de Deus, ou seja, ao modo divino de pensar e agir em relação aos devedores. A parábola das dívidas é apresentada como recurso para facilitar a compreensão da medida do perdão.
A primeira cena da parábola, conforme o artigo, reflete a relação de Deus Pai com os homens. A dívida humana com Deus é descrita como uma enorme fortuna, impossível de ser restituída, pois tudo o que se tem e se é vem de Deus.
Dom Rodolfo cita São Paulo na Carta aos Romanos para afirmar que vivos ou mortos pertencemos ao Senhor. Entre os bens recebidos gratuitamente, lista a natureza, a vida, a inteligência, a liberdade, o sol, a chuva, o ar, a Palavra de Deus, o perdão e a morte salvadora de Jesus na cruz.
O arcebispo afirma que, para viver, é necessário passar da lógica da dívida para a lógica do amor gratuito. Na parábola, o devedor pede prazo, mas recebe o perdão da dívida, demonstrando que Deus quer uma relação de filhos, não de devedores.
A segunda cena da parábola descreve a relação entre dois companheiros de trabalho, ou seja, entre humanos. A dívida em questão é de apenas cem moedas, mas aquele que havia sido perdoado cobra o companheiro de forma violenta.
Sob a ótica da justiça, conforme o texto, não há erro em cobrar dívidas assumidas. O pecado maior, segundo o arcebispo, foi não tratar o irmão devedor com misericórdia e compaixão.
O ápice da parábola é a exortação final dirigida a todos: aquele que foi perdoado de toda a dívida porque suplicou deve também ter compaixão do companheiro. Dom Rodolfo encerra a reflexão convidando os fiéis a perdoar cada dia.