A técnica de transplante de árvores tem sido utilizada em Passo Fundo para conciliar o avanço de novos empreendimentos imobiliários com a preservação ambiental. O procedimento foi adotado na área da antiga Associação da Brahma, onde está sendo implantado um novo projeto residencial.
O assunto foi debatido no programa Uirapuru Ecologia no último sábado (1º), com a participação da empresária Sandra Sebben Zornita, da Incoben, do paisagista Antonio Vinicius Orsatto e do engenheiro ambiental Gabriel Cavelhão. Os profissionais detalharam as etapas técnicas do processo e a importância de manter a vegetação nativa durante obras de infraestrutura urbana.
A área da antiga chácara da Brahma possui relevância histórica para Passo Fundo, sendo frequentada por gerações de famílias que mantêm vínculo afetivo com espécies como araucárias e árvores frutíferas do local. O projeto prevê a manutenção de um fragmento de Mata Atlântica existente no terreno.
A empresária Sandra Sebben Zornita afirmou que a preservação das árvores integra a concepção dos empreendimentos da Incoben. Segundo ela, foi realizado um estudo ambiental amplo na área para manter o maior número possível de exemplares, respeitando as exigências legais.
O projeto inclui o transplante das árvores, a preservação do fragmento de Mata Atlântica e a criação de espaços integrados à natureza. A proposta permite que os futuros moradores convivam com a vegetação já consolidada no terreno.
O engenheiro ambiental Gabriel Cavelhão explicou que o processo inicia com um levantamento detalhado, realizado por equipe multidisciplinar. Cada árvore é analisada individualmente, considerando espécie, porte, estado de conservação e condições ambientais do solo.
O estudo também identifica a presença de espécies protegidas ou ameaçadas de extinção, definindo quais exemplares podem ser transplantados e quais devem permanecer no local. Todo o procedimento depende de licenciamento ambiental prévio.
O paisagista Antonio Vinicius Orsatto destacou que o transplante exige planejamento e execução rápida para garantir a sobrevivência das árvores. Após a poda e remoção com equipamentos adequados, o exemplar é transportado imediatamente para o novo local, onde a cova já está preparada com irrigação e produtos para estimular o enraizamento.
Nos meses seguintes, as árvores transplantadas recebem acompanhamento constante, com irrigação e manejo específico para favorecer a adaptação ao novo ambiente. Sandra Zornita ressaltou que empreendimentos integrados à natureza têm sido cada vez mais valorizados pela população, demonstrando que desenvolvimento urbano e preservação ambiental podem caminhar juntos.
Fonte: Rádio Uirapuru Passo Fundo