O Tribunal do Júri de Carazinho condenou o réu acusado pelo atropelamento que matou Eriton Patrick Rossoni, de 27 anos, a dois anos de detenção em regime semiaberto. A sessão foi realizada nesta terça-feira (20), quando o conselho de sentença desclassificou as acusações iniciais de homicídio doloso e tentativas de homicídio para homicídio culposo na direção de veículo automotor, previsto no Artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro.
A sentença também estipulou indenização de R$ 5 mil para a família da vítima. O caso ocorreu na madrugada de 14 de novembro de 2021, no bairro Conceição, quando o jovem caminhava pela via pública e foi atingido pelo veículo, morrendo no local.
A decisão do júri reacendeu a discussão sobre a tipificação de crimes de trânsito com resultado morte na comarca. Nos bastidores, a desclassificação para homicídio culposo foi o ponto central da insatisfação dos familiares, que aguardavam condenação próxima de 20 anos. O caso também trouxe à tona o debate sobre a participação de condutores em rachas e a resposta do Judiciário a episódios de alta velocidade em áreas urbanas.
O Ministério Público sustentou em plenário que o condutor participava de um racha em alta velocidade e na contramão quando atingiu o jovem. A defesa do réu alegou que ele realizava uma ultrapassagem enquanto levava a mãe ao hospital e que tentou desviar dos pedestres que estavam na pista, sem sucesso.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi arremessada por vários metros. O laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou que Eriton morreu no local por traumatismo crânio-encefálico e hemorragia.
Familiares de Eriton manifestaram indignação com o veredito e com o valor da indenização. Em entrevista, os parentes afirmaram que “a vida de uma pessoa não vale nada, ou vale apenas R$ 5 mil” e ressaltaram que o caso deveria ter resultado em pena próxima de 20 anos de reclusão.
A família também pontuou que o acusado tentou fugir logo após o atropelamento e só parou porque perdeu o controle do veículo e colidiu contra uma árvore. Os parentes questionaram que, com essa decisão, qualquer pessoa pode pegar um carro, sair em alta velocidade, matar outra pessoa, fugir e depois pagar um valor e sair livremente.
O advogado de defesa, Dr. Azir Salles, declarou que um júri é sempre complicado, ainda mais quando envolve a perda da vida de um jovem. Segundo Salles, seu cliente não teve intenção de matar e não assumiu o risco do resultado. “O júri é um momento marcado por debates, sentimentos, dor, que nem acusação e defesa perdem ou ganham e nem sempre as decisões agradam as partes”, respondeu o defensor.