O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), revela uma queda significativa nas mortes violentas intencionais (MVI) no Brasil em 2025. O índice caiu para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, representando uma diminuição de 8,2% em relação ao ano anterior. Este é o menor nível registrado desde o início da medição em 2012. Em números absolutos, foram contabilizadas 40.775 mortes violentas, uma redução em comparação às 44.127 ocorrências de 2024.
A categoria MVI abrange homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, além de mortes resultantes de intervenções policiais. Apesar da queda geral, o relatório aponta um aumento preocupante nos feminicídios, que subiram 4% em 2025, com 1.571 mulheres assassinadas por razões de gênero, o que equivale a 4,3 mortes diárias. Essa taxa representa 1,4 vítimas por 100 mil mulheres, o maior percentual desde a inclusão do feminicídio no Código Penal em 2015.
Além disso, as tentativas de feminicídio também aumentaram, com 4.189 mulheres sobreviventes registradas, um crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior. Para cada feminicídio consumado, quase três tentativas foram registradas. As regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas de violência de gênero, com 9,8 e 8 vítimas por 100 mil mulheres, respectivamente, enquanto as regiões Sudeste, Nordeste e Sul mostraram índices mais baixos.
Embora a média nacional de mortes violentas tenha diminuído, sete estados registraram aumentos nas MVI em comparação com 2024. O Rio Grande do Norte lidera com um aumento de 19,6%, seguido por Rondônia (7,5%) e Acre (6,3%). Por outro lado, estados como Amazonas e Rio Grande do Sul apresentaram quedas expressivas, de 32,5% e 25,7%, respectivamente.
Esses dados evidenciam um cenário complexo em relação à segurança pública no Brasil, onde a redução nas mortes violentas não se reflete de forma homogênea em todas as regiões e categorias de crimes.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br