A Diocese de Montenegro realizou, neste domingo (13), a primeira missa inclusiva do Rio Grande do Sul. A celebração ocorreu na Paróquia Sagrado Coração de Jesus e foi adaptada para acolher pessoas atípicas e seus familiares.
Para reduzir barreiras sensoriais e sociais, a organização diminuiu o volume do som, utilizou iluminação suave e disponibilizou intérprete de língua de sinais. Os participantes também tiveram liberdade para se movimentar pelo espaço durante o rito.
O vigário Oséias Dreyer destacou que a adaptação reforça o papel de acolhimento da comunidade. “A vida nasce como um dom precioso. Não sou eu e nem o outro que pode desqualificar a importância e a beleza que cada ser humano traz dentro de si, que é o amor de Deus”, afirmou.
A dona de casa Michele Regina Machado, mãe de Elias, relatou a dificuldade que enfrentava. “Eu como mãe, eu posso dizer que por muito tempo eu fiquei afastada da igreja. Eu trazia meu filho quando ele era pequeno, mas ele fazia muitos barulhos, estereotipias, isso incomodava as pessoas”, contou.
Elias possui sensibilidade ao toque e não consegue usar camisa e sapatos. Durante a celebração, ele acompanhou o início do lado de fora, ao lado do pai, Odirlei Bernardes. “O pouquinho que ele puder vir aqui, estar sentindo um pouco desta atmosfera, para nós é de grande valia”, disse Odirlei.
Em seguida, Elias conseguiu entrar na igreja. A mãe emocionou-se com o momento. “Ele não usa camiseta e calçado há quatro anos, então eu não consigo levar nos lugares. Ver ele entrando na casa do Senhor agora me causou uma emoção muito grande como mãe poder trazer meu filho na igreja”, relatou Michele.
O vigário ressaltou que a iniciativa busca oferecer um ambiente acolhedor. “Nós como comunidade queremos justamente dizer a elas que a preocupação maior delas, ou o pensamento melhor delas, pode ser: vamos para a igreja para que lá nos encontramos paz”, declarou.
As crianças presentes aproveitaram a liberdade de movimento. Francisco dos Santos, de nove anos, resumiu a experiência: “Eu tô me sentindo muito bem”.
A rotina das missas tradicionais costuma afastar famílias de crianças atípicas devido ao incômodo com ruídos e ao julgamento de terceiros. A iniciativa da paróquia busca oferecer um ambiente sem julgamentos, onde os pais possam encontrar paz sem a preocupação com a reação de outros fiéis.