O som que se tornou símbolo das eleições brasileiras surgiu de uma limitação tecnológica. O “pilili” emitido pela urna eletrônica ao final da votação é uma sequência de beeps, único recurso sonoro disponível nos computadores utilizados há 30 anos.
Giuseppe Janino, de Canoas, ex-secretário de tecnologia da informação do TSE e um dos autores do projeto da urna, explica que o aviso servia para informar o mesário sobre a conclusão bem-sucedida do voto.
“Naquela época, em 1996, os recursos computacionais eram restritos. Não existiam dispositivos de multimídia. O máximo que o computador fazia era dar um beep. O que tentamos fazer dentro do que era possível era um beep diferenciado, para que o mesário conseguisse saber que o eleitor terminou o voto com sucesso”, afirma Janino, que tem formação em Matemática e Análise de Sistemas.
Segundo o analista, a sequência de “piripipi” foi a solução encontrada para diferenciar o aviso de conclusão da votação de outros sons emitidos pelo equipamento.
“Essa sequência foi o que se tinha na época justamente para que o mesário tivesse a noção do tempo de votação do eleitor. E esse som acabou se inserindo na cultura do brasileiro e representa, está muito ligado à nossa urna eletrônica brasileira”, completa.
O aviso sonoro está tão presente no cotidiano das eleições que o TSE lançou a mascote Pilili com o objetivo de levar, em linguagem mais próxima das novas gerações, um equipamento que já faz parte da história das eleições brasileiras.
“Tem mesário que passa a noite em claro ouvindo esse piripipi a noite toda depois de um dia de trabalho”, brinca Janino. “Mas ele é realmente uma característica importante que representa culturalmente a nossa urna eletrônica.”