Uma investigação em Crissiumal revelou que dois médicos e uma funcionária de uma clínica local estão sendo acusados de pressionar pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) a realizarem cirurgias particulares. As denúncias surgiram após relatos de pacientes que afirmaram ter sido coagidos a pagar por procedimentos cirúrgicos, sob a alegação de que suas vidas estavam em risco.
O médico Edmundo Berni Reátegui é um dos profissionais investigados. Segundo informações do Ministério Público, ele teria exigido R$ 8 mil de um familiar durante um exame de colonoscopia, afirmando que a paciente poderia morrer se não realizasse a cirurgia imediatamente. Outro médico, Lucas Canova, também está sob investigação por supostamente criar cenários de urgência para justificar as cobranças.
A pressão psicológica exercida pela secretária da clínica, que auxiliava os médicos nas abordagens, também foi alvo das investigações. A Polícia Civil de Crissiumal já havia encaminhado cinco inquéritos ao Judiciário em março, e, após a divulgação do caso, novas vítimas se apresentaram, revelando que não tinham consciência de que estavam sendo vítimas de um crime.
O promotor de Justiça Ronaldo Arbo confirmou que Edmundo Reátegui foi denunciado e que a Justiça determinou seu afastamento das atividades no SUS, além de medidas cautelares. No entanto, uma liminar em um habeas corpus revogou a utilização de tornozeleira eletrônica, embora ele continue impedido de atender pelo SUS. Reátegui já enfrenta um processo judicial em Encantado por acusações semelhantes, tendo sido condenado pelo crime de concussão.
As investigações continuam, e o caso levanta preocupações sobre a ética profissional e a proteção dos direitos dos pacientes no sistema de saúde pública.
Fonte: Globo G1 Rio Grande do Sul