O mecânico Wilian Wink, de 32 anos, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e segue internado em um hospital de Cachoeira do Sul. A informação foi confirmada pela família, que aguarda a transferência do paciente para Porto Alegre, onde ele deverá passar por cirurgias na coluna e no intestino.
Wilian foi baleado no dia 1º de agosto dentro da própria oficina mecânica, em Sobradinho. O autor dos disparos é o soldado da Brigada Militar Djavan Roger Fritsch, que foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e está preso no Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.
A briga entre o mecânico e o policial não era recente. Conforme a investigação, o conflito se arrastava havia cerca de dois anos por causa do barulho gerado pelos testes de motocicletas realizados na oficina. A família do PM e outros moradores registraram ao menos sete ocorrências de perturbação de sossego contra o estabelecimento.
As imagens das câmeras de segurança analisadas pela polícia mostram o momento em que os dois discutem e o policial efetua os disparos. Wilian foi atingido por três tiros: dois no abdômen e um na perna.
A delegada Graciela Foresti Chagas, responsável pelas investigações, confirmou o indiciamento do soldado. “Concluímos as investigações com o indiciamento por homicídio qualificado na forma tentada”, afirmou.
A defesa do policial, no entanto, contesta a tipificação. O advogado Felipe Haas afirma que o PM agiu para proteger a família e que o caso deveria ser tratado como lesão corporal. “A todo momento ele dizia ‘eu precisava defender a minha família’. Nós em nenhum momento vamos alegar que foi legítima defesa, mas entendemos que foi lesão corporal”, declarou.
Djavan Roger Fritsch se apresentou à corporação após o episódio e entregou a arma utilizada no crime. A Justiça decretou a prisão preventiva do soldado, que permanece detido. A família de Wilian informou que ele está consciente e consegue conversar, mas segue dependendo de novas cirurgias para tratar as lesões.