Em Eugênio de Castro, no Noroeste do Rio Grande do Sul, tradicionalistas mantêm uma Chama Crioula acesa ininterruptamente há 35 anos. A prática, iniciada no início da década de 1990, exige cuidados diários e consome de 12 a 15 metros cúbicos de lenha em 12 meses.
A missão de abrigar e cuidar do fogo no último ano ficou sob responsabilidade da família Hartfeil. A tarefa demanda atenção constante, inclusive durante a madrugada, para garantir que a brasa não se apague.
O agricultor Valdir Hartfeil relata a rotina de manutenção do fogo de chão. “A gente bota uma madeira mais grossa e aí, quando a gente acorda de noite, vem dar uma olhada. Como diz o gaúcho: bater os tição”, afirmou.
O patrão do CTG Querência da Pátria, Gelson Mendes Teixeira, explica a origem da iniciativa. “Em 1991, alguns tradicionalistas pediram autorização do MTG de permanecer com a chama acesa após o 20 de Setembro aqui no município, sempre em alguma propriedade aqui dentro do município de Eugênio de Castro”, disse Teixeira.
O local onde o fogo é mantido também funciona como ponto de encontro na cidade. Ao redor da chama, os moradores se reúnem para compartilhar comida, chimarrão e música gaúcha.
Os encontros têm o objetivo de preservar a história e repassar o legado para as novas gerações. A estudante Gabriela Hartfeil avalia o futuro do costume. “Se nossa geração tiver um pouco de amor pela cultura, acho que isso seja possível”, disse.