O Centro Oncológico Infantojuvenil do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em Passo Fundo, promove a campanha Setembro Dourado para reforçar a importância do diagnóstico precoce do câncer em crianças, adolescentes e jovens de 0 a 21 anos. Embora a incidência seja baixa nessa faixa etária, a doença figura entre as principais causas de mortalidade infantojuvenil.
Segundo o coordenador do serviço, o oncologista pediátrico e hematologista Pablo Santiago, muitos sintomas se confundem com manifestações comuns da infância, como consequências de atividades físicas, rotina escolar ou brincadeiras. Por isso, pais e profissionais de saúde devem observar mudanças persistentes ou fora do padrão habitual para a idade.
De acordo com Pablo Santiago, a tentativa de acreditar que se trata de uma condição menos grave pode se transformar em armadilha. “Não é porque alguém pensou em câncer que vai fazer com que a doença se estabeleça. O problema ocorre no sentido contrário: quando a doença está acontecendo, mas não se pensa nessa possibilidade, começa-se a perder tempo”, alerta o médico.
Não existe um único sintoma capaz de indicar câncer. O que deve chamar a atenção é a persistência ou a associação de diferentes manifestações ao longo do tempo. Entre os sinais estão febre prolongada, dor de cabeça persistente pela manhã, vômitos matinais, desequilíbrio para caminhar, hematomas, aumento de linfonodos, aumento do volume abdominal, perda de peso, suores noturnos e dor óssea.
Uma mancha roxa, por exemplo, pode ser associada pelos pais a uma batida durante uma brincadeira. Já a febre é comum na infância e, isoladamente, não significa câncer. Porém, quando persiste por vários dias, especialmente à noite, deve ser investigada.
“Uma febre que dura um, dois ou três dias pode inicialmente não chamar tanta atenção. Porém, quando passam três, quatro ou cinco dias e ela continua presente todas as noites, é necessário investigar. Depois de alguns dias, a criança também pode apresentar suores noturnos, dor óssea, nas pernas ou nas costas e palidez. Essa combinação já pode representar um conjunto básico de sintomas observado, por exemplo, em casos de leucemia”, explica o especialista.