A crescente presença da inteligência artificial na área da saúde tem sido acompanhada por um fenômeno preocupante: a criação de falsos médicos virtuais que enganam idosos com promessas de curas milagrosas e tratamentos perigosos. Especialistas alertam para os riscos associados à desinformação em saúde, especialmente nas redes sociais, onde muitos idosos se tornam alvos vulneráveis.
Durante um recente debate no programa Sem Segredo, a médica Cristiane Zanotelli, professora da UFFS, destacou que, embora a inteligência artificial possa ser uma ferramenta valiosa, seu uso irresponsável pode resultar em diagnósticos equivocados e no abandono de tratamentos eficazes. Ela enfatizou a necessidade de cautela ao consumir informações de saúde online, especialmente no que diz respeito ao uso indiscriminado de suplementos e medicamentos sem prescrição.
A farmacêutica Carla Gonçalves, professora da UPF, complementou a discussão ao apontar que a carência afetiva e a busca por cuidados podem tornar os idosos ainda mais suscetíveis a esses golpes. Segundo ela, avatares que aparentam ser simpáticos e confiáveis podem criar uma ilusão de cuidado, mas o verdadeiro vínculo deve ser construído com profissionais de saúde qualificados ao longo do tempo.
O médico ortopedista Vinícius Kuhn, que possui uma significativa presença nas redes sociais, também participou do programa e ressaltou que suas postagens visam informar e orientar, mas não substituem uma consulta médica. Ele defendeu a ampliação da presença de profissionais sérios nas plataformas digitais como uma estratégia eficaz para combater a proliferação de perfis falsos.
A situação evidencia a necessidade urgente de conscientização sobre os riscos da desinformação em saúde e a importância de buscar orientação de profissionais qualificados, especialmente em um cenário onde a tecnologia pode ser tanto uma aliada quanto uma ameaça.
Fonte: Rádio Uirapuru Passo Fundo