A Organização de Procura de Órgãos (OPO 4), sediada no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em Passo Fundo, registrou 74 notificações de morte encefálica na região em 2026. Desse total, 19 resultaram em doações de múltiplos órgãos.
O neurocirurgião e coordenador da OPO 4, Dr. Cassiano Ughini Crusius, destaca que a conversa prévia entre familiares é decisiva para a efetivação da doação. No Brasil, a autorização da família é obrigatória para que a retirada e o transplante sejam realizados.
Segundo o Dr. Cassiano Crusius, muitas pessoas não imaginam que precisarão tomar esse tipo de decisão. “A nossa orientação é que todas as pessoas conversem entre si, conversem em família e deixem bem clara a sua vontade em vida, que é ser um doador de órgãos”, afirma.
A legislação brasileira estabelece que a doação de órgãos de uma pessoa falecida depende da autorização familiar. A manifestação feita em vida não substitui essa autorização.
Existe também a possibilidade de registrar a vontade por meio de uma escritura pública de declaração de vontade. O documento pode ser feito gratuitamente e de forma sigilosa por pessoas maiores de 18 anos em Tabelionato ou Cartório de Registro Civil.
A possibilidade de doação só é analisada após a confirmação da morte encefálica. O diagnóstico segue protocolo específico do Conselho Federal de Medicina, com avaliações clínicas por médicos habilitados e exames complementares repetidos em diferentes etapas.
“O paciente está em coma, primeiramente. Esse paciente em coma, com alguns indícios de que esteja em morte cerebral, entra no que a gente chama de protocolo de morte cerebral. Depois, ele é avaliado e examinado por um médico capacitado para isso”, explica Cassiano.
Uma nova avaliação é feita posteriormente por outro médico habilitado, além da realização de exame complementar. Somente após a confirmação da morte encefálica a família é informada sobre a possibilidade de doação.
Quando autorizada, a doação pode beneficiar pessoas que aguardam por diferentes tipos de transplante. Entre os órgãos e tecidos que podem ser destinados estão coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, intestino, córneas e ossos.
Um único doador pode beneficiar até oito pessoas, dependendo das condições dos órgãos e dos critérios médicos para o transplante. O rim está entre os órgãos mais transplantados e também apresenta grande demanda na região.