O fenômeno El Niño em formação no Oceano Pacífico ganhou intensidade nas últimas semanas e pode se consolidar como um dos episódios mais extremos já registrados. Monitoramentos internacionais indicam rápido aquecimento das águas equatoriais, com probabilidade superior a 90% de o evento permanecer em níveis muito fortes nos próximos meses.
Na região Niño 3.4, área de referência para medição do fenômeno, a anomalia média atingiu 1,8°C em agosto. Em algumas áreas do Pacífico Equatorial, as temperaturas superficiais já superam 3°C acima do normal, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
A preocupação de pesquisadores e autoridades climáticas se concentra no volume de calor armazenado abaixo da superfície oceânica. Em determinados pontos do Pacífico Equatorial, as águas subsuperficiais apresentam anomalias superiores a 10°C, o que pode funcionar como reservatório de energia para intensificar o fenômeno nas próximas semanas. Esse acúmulo térmico, combinado com mudanças nos ventos equatoriais, altera a circulação atmosférica e pode amplificar os efeitos do El Niño sobre o clima global.
O comportamento dos ventos equatoriais é outro fator determinante para a evolução do evento. Alterações nesse sistema favorecem o deslocamento de massas de água quente em direção ao leste do Pacífico, o que pode elevar ainda mais as temperaturas na superfície oceânica.
Modelos climáticos internacionais projetam que o fenômeno continue se fortalecendo durante a primavera, com pico de intensidade previsto entre o fim de 2026 e o início de 2027. A magnitude máxima, no entanto, ainda não pode ser determinada com precisão.
As projeções estão sujeitas a revisões conforme novos dados são incorporados. A comparação entre diferentes episódios de El Niño também depende da metodologia adotada para medir a força do fenômeno.
Eventos registrados em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016 permanecem como principais referências históricas. Caso o atual episódio evolua conforme algumas projeções indicam, poderá integrar o grupo dos eventos mais intensos observados na era moderna.