A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) divulgou, nesta segunda-feira (2), dados que confirmam uma anomalia de temperatura da superfície do mar de +5,4ºC na região Niño 1+2. O índice monitora o aquecimento das águas do Pacífico junto aos litorais do Peru e do Equador, configurando um episódio extraordinário do El Niño Costeiro.
Trata-se do maior valor já registrado nos tempos modernos para essa área específica do oceano. O fenômeno é distinto da forma clássica do El Niño e tem impactos diretos na América do Sul, embora os reflexos em escala global sejam menores.
Historicamente, os maiores eventos registrados na região Niño 1+2 não ultrapassavam a marca de +4,2ºC, observada em 1983. O recorde anterior pelo índice tradicional (ONI) foi superado de forma significativa, enquanto o novo índice de monitoramento (RONI), que faz ajuste pelo aquecimento global, igualou o patamar de +4,6ºC de 1983. A intensidade atual coloca o evento como um marco histórico nos registros meteorológicos.
A região Niño 1+2 é utilizada para monitorar o El Niño Costeiro, que se define pelo aquecimento anômalo das águas próximas à costa oeste da América do Sul. Este comportamento difere do El Niño clássico, que ocorre na região Niño 3.4, mais centralizada no Pacífico equatorial.
Os dados da NOAA indicam que jamais se observou, nos registros modernos, uma anomalia igual ou superior a +5ºC em qualquer uma das regiões Niño. O pico atual de +5,4ºC supera com folga os eventos de 1982-1983 (+4,2ºC), 1997-1998 (+4,0ºC) e 2015-2016 (+2,7ºC).
O episódio de El Niño Costeiro extraordinário produz impactos significativos no Peru e no Equador, com potencial para alterar o regime de chuvas e a temperatura na região. O monitoramento contínuo é essencial para avaliar as consequências nas atividades econômicas e na população local.