O mercado de trabalho brasileiro registrou taxa de desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. O número de pessoas ocupadas alcançou 103,5 milhões, maior nível da série histórica, enquanto a população desocupada ficou em 5,8 milhões.
Em contrapartida, a inadimplência nas operações de crédito atingiu 5% em agosto, conforme o Banco Central. É o maior percentual desde o início da série histórica, em março de 2011, considerando operações com mais de 90 dias de atraso.
A taxa de desemprego recuou 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em maio, quando estava em 5,6%. Na comparação com o mesmo período de 2025, também houve queda de 0,3 ponto percentual. O contingente de ocupados cresceu 0,8% no trimestre, equivalente a 774 mil pessoas, e avançou 1% em um ano, com acréscimo de aproximadamente 1,1 milhão de trabalhadores.
O nível de ocupação, que mede a proporção da população em idade de trabalhar que está empregada, ficou em 58,9%. Entre os empregados, 39,5 milhões possuem carteira assinada, enquanto 13,7 milhões atuam sem registro. Os trabalhadores por conta própria somam 26,1 milhões.
A inadimplência das pessoas físicas passou de 5,8% para 6% entre julho e agosto, segundo o Banco Central. O indicador considera operações com mais de 90 dias de atraso e inclui tanto consumidores quanto empresas.
Para Leonardo Costa, economista do ASA Investimentos, o mercado de trabalho permanece em cenário positivo, mas a desaceleração na criação de vagas e o comportamento da massa salarial exigem atenção. A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que os efeitos de uma economia mais fraca costumam aparecer primeiro na contratação de novos trabalhadores, enquanto o estoque de empregos tende a reagir posteriormente.
O crescimento da ocupação ficou concentrado principalmente em segmentos como construção e indústria, enquanto outros setores apresentaram estabilidade. Pessoas fora da força de trabalho somam 66,4 milhões, e a população desalentada totaliza 2,4 milhões.
O contraste entre a queda do desemprego e o avanço da inadimplência reflete um cenário em que a renda sustentada pelo emprego ainda não foi suficiente para conter o comprometimento financeiro das famílias. Economistas apontam que a desaceleração na criação de vagas e o comportamento da massa salarial podem reduzir o ritmo do consumo nos próximos meses, pressionando setores dependentes da demanda interna.