Uma moradora de Carazinho, que teve a identidade preservada, decidiu romper um ciclo de 15 anos de violência doméstica após ser agredida e trancada em um quarto pelo ex-companheiro. O caso, que envolveu violência psicológica, patrimonial, sexual e física, culminou em um Boletim de Ocorrência com pedido de medida protetiva nove meses após a separação, quando a situação se agravou.
Após o registro policial, a vítima foi encaminhada ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) de Carazinho, onde passou a receber acompanhamento da rede de apoio. O serviço, vinculado à prefeitura, oferece atendimento gratuito e sigiloso nas áreas de psicologia, assistência social e orientação jurídica.
O CRAM de Carazinho já contabiliza 114 atendimentos neste ano, conforme dados da assessoria de imprensa da prefeitura. O órgão atua em parceria com o Ministério Público, a Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar, a Delegacia de Polícia Civil e as secretarias municipais de Saúde e Desenvolvimento Social, além do CRAS.
Em seu relato, a mulher destacou que o acolhimento recebido foi fundamental para sua recuperação. “Lá tenho atendimento psicológico, mas sei que para quem precisa, também tem o auxílio social, com recolocação no mercado de trabalho, passagem para voltar para família, retirada do lar em caso de agressão. O CRAM foi o órgão que me acolheu”, afirmou.
A vítima também fez um alerta a outras mulheres que possam estar vivendo situação semelhante. “No primeiro sinal, no primeiro grito, na primeira vez que ele ameaçar. Jamais acredite que ele irá mudar, porque ele não vai. A chance maior é de ele piorar, não melhorar”, disse, lamentando ter tentado se adaptar ao comportamento do agressor sem sucesso.
A coordenadora do CRAM, Daniane Diehl, reforça que toda a assistência é confidencial e que a equipe busca atender cada caso de forma individualizada. O serviço está localizado no 4º andar do Edifício Mont Serrat, na Avenida Pátria, em Carazinho, e o contato pode ser feito por WhatsApp no número disponibilizado pela unidade.