O primeiro furacão do ano no Atlântico se formou na madrugada desta quinta-feira (8) no Golfo do México, encerrando um período de 342 dias sem registros de furacões na bacia. Batizado de Isaias, o sistema é considerado possivelmente o mais tardio da história moderna na região.
O ciclone avança em direção à costa norte do Golfo dos Estados Unidos e deve atingir o continente entre a noite de sexta-feira (9) e a manhã de sábado (10). Há previsão de impactos potencialmente severos desde o Mississippi até a Flórida.
A previsão indica que Isaias poderá alcançar intensidade próxima de um furacão categoria 2, embora haja chance de enfraquecimento significativo nas horas imediatamente anteriores à chegada ao continente. Um dos principais fatores para a intensificação atual é a temperatura excepcionalmente elevada do oceano.
As águas do Golfo ao longo da trajetória de Isaias estavam entre 30°C e 31°C, valores considerados recordes para esta época de outubro. Além das águas muito quentes, o sistema encontra uma atmosfera bastante úmida, com umidade relativa entre 70% e 75% em níveis médios.
Imagens de satélite e dados obtidos por aeronaves indicavam que o sistema estava se organizando rapidamente, com a formação de um núcleo compacto de ventos mais fortes. Os modelos meteorológicos apresentam boa concordância sobre o cenário geral da trajetória, mas ainda divergem em relação ao ponto exato de chegada à costa e à intensidade.
A tendência predominante aponta para uma curva gradual para Leste e posteriormente para Norte, levando o sistema em direção ao litoral central do Golfo. Existe, no entanto, uma diferença importante entre os modelos tradicionais e os sistemas baseados em inteligência artificial.
Modelos físicos, como os ensembles do modelo europeu, vêm indicando trajetória mais para Oeste e uma tempestade relativamente mais fraca. Já modelos de inteligência artificial, incluindo o DeepMind, do Google, projetam trajetória mais para Leste, com deslocamento mais rápido e maior intensidade.
A diferença é fundamental porque a posição e a velocidade do furacão determinarão quanto tempo ele permanecerá exposto às condições atmosféricas favoráveis e desfavoráveis. Mais para leste e com deslocamento mais rápido, Isaias tende a permanecer maior período sobre águas quentes antes de alcançar o continente.