Pequenos produtores rurais iniciam a safra de verão com preocupação financeira. Levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) aponta que as dívidas de agricultores e pecuaristas enquadrados no Pronaf já somam R$ 8,5 bilhões.
Do total, apenas R$ 3 bilhões estão elegíveis para renegociação nos termos da Medida Provisória 1.376/2026, publicada pelo governo federal. O cenário é agravado por quebras consecutivas de produção causadas por problemas climáticos.
A FPA também cita a existência de regras incompatíveis com os fundos constitucionais. A entidade cobra que o Congresso acompanhe a execução da política pública, identifique os obstáculos e aperfeiçoe o texto para que a solução produza resultados concretos no campo.
Apesar de a MP estar em vigor, a Frente destaca que a renegociação não alcança os produtores na velocidade e na escala necessárias, especialmente os pequenos e aqueles em maior vulnerabilidade financeira.
Para a safra de verão 2026/27, a Emater/RS-Ascar projeta colheita de 35,639 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul, volume 8,64% superior ao da temporada passada. A área plantada deve somar 8,248 milhões de hectares, com leve recuo de 0,37%.
A projeção considera soja, arroz, milho, milho silagem, feijão e sorgo. O crescimento é sustentado principalmente pela recuperação da soja, que deve alcançar 21,151 milhões de toneladas, alta de 15,32% sobre o ciclo anterior. A produtividade da oleaginosa deve subir de 2.735 para 3.183 quilos por hectare.