A Polícia Civil tem prazo de 10 dias para concluir o inquérito que apura a morte de Samylle Ramiro, de 4 anos, ocorrida na última segunda-feira (17) em Porto Alegre. O caso é tratado como homicídio doloso, e o principal suspeito, o tio Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, está preso preventivamente desde quinta-feira (20).
A delegada Alice Fernandes, responsável pelas investigações, afirmou que outras pessoas da família podem ser incluídas como suspeitas conforme avancem as apurações. O atestado de óbito confirmou que a causa da morte foi politraumatismo.
Samylle vivia há cerca de dois meses com os tios, com autorização do Conselho Tutelar. O histórico familiar já era acompanhado por órgãos de assistência e pela Justiça desde 2025. A criança chegou sem vida a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na madrugada de segunda-feira, levada pelos próprios tios.
Segundo a delegada, no momento da morte apenas o suspeito e a menina estavam no local. No entanto, a polícia aguarda os laudos periciais para verificar a existência de outras lesões ou informações que possam ampliar o alcance da investigação.
“Precisamos verificar qual foi o horário da morte e comparar com o horário em que a criança foi levada até a UPA, para entender todo o contexto das últimas horas de vida da menina”, explicou Fernandes.
Em depoimento, Staubus confessou ter agredido a criança e justificou as palmadas como uma forma de educá-la, mencionando que a menina teria evacuado nas vestes. Ele também afirmou estar arrependido e que nunca desejou a morte da sobrinha.
“Ele falava como se estivesse arrependido, dizia que nunca tinha cuidado de uma criança. Mas a gente sabe que não há justificativa”, destacou a delegada.
A polícia ainda aguarda o laudo pericial para confirmar ou descartar a hipótese de violência sexual. O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à prisão preventiva do investigado, citando a “extrema gravidade concreta dos fatos investigados”.
O homem deixou a UPA ao perceber a chegada dos policiais. A criança apresentava manchas roxas pelo corpo. A defesa de Staubus ainda não foi localizada para comentar o caso.