A urna eletrônica, utilizada em larga escala pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, completa 30 anos em 2026. O sistema foi desenvolvido para prevenir fraudes recorrentes no voto em papel, que ocorriam em zonas eleitorais de todo o país.
Segundo Giuseppe Janino, um dos criadores da urna e ex-secretário de tecnologia da informação do TSE, a intervenção humana no processo de votação em papel era o principal fator de risco. Ele afirma que a lentidão, os erros de preenchimento e a criatividade para aplicar golpes comprometiam a confiabilidade do pleito.
Entre as fraudes mais conhecidas estava o voto formiguinha. O golpe consistia na abordagem de um eleitor na fila e na troca da cédula oficial por um papel comum. O eleitor recebia o documento do mesário, mas depositava o papel na urna e entregava a cédula em branco a um despachante.
O despachante preenchia a cédula oficial e a repassava ao próximo eleitor da fila, que repetia o processo. Dessa forma, o golpista recebia as cédulas oficiais em branco de forma sequencial, preenchia e negociava cada uma das transações com as pessoas que aguardavam para votar.
Outra prática recorrente era a urna grávida, que consistia na inserção de cédulas já preenchidas na urna antes do início da votação. O próprio TSE reconhece que problemas como rasuras em cédulas, preenchimento incorreto e fraudes durante a contagem comprometiam a confiabilidade do processo no modelo em papel.