Um investigado preso em Passo Fundo durante a Operação Sophia foi solto após decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. A operação, realizada pela Polícia Civil, visa desarticular uma organização criminosa suspeita de criar campanhas fraudulentas de arrecadação de dinheiro na internet.
A decisão foi proferida pelo desembargador João Batista Marques Tovo, da 6ª Câmara Criminal do TJRS, que revogou a prisão preventiva e determinou a expedição imediata do alvará de soltura. O investigado havia sido detido por suspeitas de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, relacionadas a campanhas de solidariedade nas redes sociais.
A investigação começou após os pais de Sophia, uma criança de dois anos em tratamento contra o câncer, denunciarem o uso indevido de imagens da menina em campanhas de arrecadação. A família alegou que não autorizou a utilização das imagens e não recebeu os valores arrecadados. As apurações revelaram uma estrutura organizada para captar doações e movimentar os recursos.
Na decisão que concedeu a liminar, o desembargador considerou plausível a alegação da defesa de que os dados pessoais do investigado poderiam ter sido clonados. O advogado criminalista Fabrício Lorandi Pinheiro argumentou que a prisão preventiva deve ser uma medida excepcional, ressaltando a importância de uma investigação minuciosa antes de qualquer detenção.
O magistrado destacou que, apesar da existência de um cadastro com os dados do investigado, não havia evidências de que os valores arrecadados fossem direcionados a ele. Os recursos teriam sido enviados a outros indivíduos, considerados centrais na organização criminosa, com os quais o investigado não mantinha relações sociais.
A decisão não representa uma conclusão sobre a responsabilidade criminal do investigado, pois o magistrado enfatizou que a investigação deve continuar. A Operação Sophia foi deflagrada simultaneamente em diversos estados, incluindo Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, com o objetivo de combater a criação de campanhas fraudulentas que exploram a boa-fé das pessoas.
Fonte: Rádio Uirapuru Passo Fundo