A intervenção do Banco Central do Paraguai no banco Ueno, na última terça-feira, deixou milhões de paraguaios sem acesso às suas contas e desencadeou uma crise política que resultou na renúncia do presidente Santiago Peña. O exportador de grãos gaúcho Pedro Bergallo, que mora em Assunção há sete anos, teve recursos retidos na instituição e conseguiu recuperá-los cerca de 48 horas depois.
Bergallo relata que a situação gerou desespero na população, especialmente entre os mais pobres, que mantinham no Ueno seu único recurso financeiro. Segundo ele, os correntistas encontraram cartas do Banco Central coladas nos vidros das agências explicando o fechamento.
O exportador, que produz e industrializa arroz, milho e soja, afirma que a crise afetou principalmente quem não tinha alternativas em outros bancos. “Gerou uma calamidade pública. As pessoas passaram a entrar em desespero, principalmente quem não tinha plano B ou C em outras instituições financeiras”, declarou.
Em apenas três dias, a crise resultou em oito diretores presos, no impeachment do presidente da República e na saída do presidente do Banco Central paraguaio. Bergallo classifica o período como o mais turbulento que já presenciou no país vizinho.
Segundo o exportador, o Paraguai ainda operava com um mercado financeiro arcaico antes da chegada do Ueno, com transferências via TED que levavam horas e uso intenso de dinheiro físico. O banco digital surgiu como alternativa a esse sistema, mas sua quebra expôs a fragilidade do setor para parte da população.