O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), após o avanço de pedidos de impeachment relacionados à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, maior banco digital do país. A carta de renúncia será submetida à análise do Congresso paraguaio, cuja aprovação é necessária para efetivar a saída do mandatário.
A decisão ocorre após Peña promulgar, na quarta-feira (4), uma lei aprovada em tempo recorde pelo Congresso para agilizar a entrega dos recursos retidos de milhares de clientes do Ueno Bank, que sofreu intervenção. A norma estabelece um adiantamento do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), com prazo mínimo de 24 horas para liberação.
A Câmara dos Deputados do Paraguai realizou duas sessões extraordinárias nesta quinta-feira para discutir a abertura de dois processos de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. Com a renúncia do presidente, a casa suspendeu temporariamente a tramitação do processo contra ele e passou a debater a solicitação contra o vice.
Minutos depois, a Câmara rejeitou o pedido de impeachment contra Alliana, com 48 votos pela rejeição e 30 a favor da abertura do processo. Dessa forma, o vice assumirá a presidência assim que o Congresso aceitar formalmente a renúncia de Peña.
As duas propostas de impeachment, relacionadas à crise do Ueno Bank, haviam sido apresentadas por vários deputados e encaminhadas à Comissão de Assuntos Constitucionais. Peña havia assumido a presidência paraguaia em 15 de agosto de 2023, após vencer as eleições de abril daquele ano, com mandato previsto até 2028.