O atacante Cauan Emanuel Gomes Nunes, de 22 anos, foi o vice-artilheiro da terceira divisão do Campeonato Gaúcho pelo São Paulo-RS, clube da cidade de Rio Grande. Ele é um dos sobreviventes do incêndio no Ninho do Urubu, ocorrido em 2019, que vitimou dez jovens das categorias de base do Flamengo.
Na competição, Cauan marcou seis gols e ajudou a equipe a alcançar a fase semifinal. No braço, o jogador carrega tatuados os nomes dos dez jovens que morreram na tragédia, como forma de manter viva a memória dos companheiros.
Mais de sete anos após a tragédia, as lembranças permanecem presentes na rotina do atacante. Cauan afirma que os jovens mortos eram como irmãos e que decidiu fazer a tatuagem assim que deixou o hospital, sem hesitar.
– Eles eram minha família, eram meus irmãos. Acho que era obrigação minha marcar isso no meu corpo, na minha história, na minha cabeça. Onde eu for, eu vou levar eles comigo – declarou.
Na madrugada do incêndio, o jogador conta que foi o último de seu quarto a acordar e que os demais atletas já tentavam encontrar uma saída em meio às chamas e à fumaça. Ele relata que os meninos tentaram deixar o alojamento pela porta principal, mas não conseguiram por causa do fogo.
Após a tragédia, Cauan chegou a considerar abandonar o futebol. Ele iniciou acompanhamento psicológico, interrompeu o tratamento por desânimo, mas retomou os cuidados e os planos de carreira com o apoio da família e de empresários. Segundo o atacante, o trabalho também auxilia no enfrentamento da rotina de alojamentos.