A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (4) a Operação Chave Mestra, que combate um grupo suspeito de invadir sistemas bancários por meio de fraudes telefônicas. Até a última atualização desta reportagem, cinco pessoas haviam sido presas.
A ação cumpre 28 ordens judiciais em Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias e criptoativos vinculados aos investigados.
A investigação começou em dezembro de 2025, após um funcionário de um banco de desenvolvimento relatar que sua linha de celular havia parado de funcionar repentinamente. Na mesma manhã, o número foi transferido remotamente para um chip controlado pelos criminosos, que passaram a receber códigos de verificação por SMS e redefiniram a senha da conta corporativa da vítima.
Com o domínio da linha, o grupo acessou e baixou arquivos internos, incluindo documentos sobre a infraestrutura de tecnologia e segurança da instituição. Por meio de um aplicativo corporativo de mensagens, o invasor contatou oito funcionários da área de tecnologia e solicitou privilégios de acesso aos sistemas bancários centrais. Todos os pedidos foram negados.
A credencial permaneceu sob controle do invasor por cerca de 48 horas, mas nenhuma movimentação financeira foi realizada nesse período, segundo a polícia. A investigação aponta que a troca do chip foi realizada por um funcionário de uma operadora telefônica que integrava o esquema. Ele e um familiar teriam recebido cerca de R$ 44,7 mil em transferências via Pix entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Os investigadores também identificaram a comercialização de serviços clandestinos para derrubada e transferência de linhas telefônicas. O grupo teria acesso a dados pessoais das vítimas, como nome, CPF, data de nascimento e endereço. Segundo a polícia, os suspeitos vendiam serviços de manipulação de chips, acesso indevido a sistemas internos de operadora e exclusão clandestina de registros do Banco Nacional de Mandados de Prisão.
O bando movimentou R$ 3,7 milhões em contas bancárias e R$ 5 milhões em criptoativos, conforme a investigação. Para dificultar a identificação, os criminosos utilizavam recursos de anonimização em suas comunicações e operações financeiras.